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Segmentar clientes é dividir a base em grupos com comportamento, interesse ou momento de relacionamento parecidos, para que cada grupo receba a mensagem, o canal e a oferta que fazem sentido para ele. Em vez de enviar a mesma campanha para todos, a empresa decide quem recebe o quê e quando, e é essa decisão que transforma uma lista de contatos em vendas.
Existem vários critérios possíveis, e nenhum deles resolve tudo sozinho. Este guia reúne os seis mais usados no e-commerce, mostra quando cada um é a melhor escolha, explica como a matriz RFM combina vários em uma só leitura e aponta os cuidados que evitam que a segmentação reduza o alcance das campanhas.
Para ver como a segmentação se encaixa na rotina de envios, consulte também como funciona uma automação de marketing na prática e como criar uma estratégia de automação de marketing.
Conteúdo
| Critério | Pergunta que responde | Exemplo de segmento | Cuidado principal |
| Relação com a marca | O contato já comprou? | Assinantes (nunca compraram) e clientes | Não misturar os dois grupos no mesmo disparo |
| Comportamento de compra (RFM) | Quando, quantas vezes e quanto o cliente compra? | Campeões, Em Risco, Hibernando | A classificação é relativa ao restante da base de cada loja |
| Engajamento | O contato abre e clica nas mensagens? | Quem abriu algum e-mail recentemente | Manter listas frias fora dos disparos gerais |
| Interesse | O que o cliente compra ou acessa? | Categoria, produto ou marca | Evitar nichos pequenos demais em campanhas de massa |
| Ciclo de compra | Quando o cliente tende a comprar de novo? | Quem comprou o produto X e está perto de repor | Depende do tempo médio de recompra da loja |
| Dados do cadastro | Onde o cliente está e que datas importam? | Região, idade e aniversário | Só funciona com dados completos e atualizados |
Segmentação de clientes é o processo de dividir a base de contatos em grupos, com base em critérios de comportamento ou de características, para direcionar cada comunicação ao público certo.
Sem esse recorte, o efeito é previsível: o cliente fiel recebe um desconto de que não precisava, quem está se afastando recebe mais uma promoção igual a todas as outras e quem acabou de comprar não ganha nenhum motivo para voltar.
Porque mensagens relevantes são abertas, e mensagens abertas têm mais chance de virar compra. Os levantamentos da Flowbiz mostram esse efeito em dois recortes: o nicho de joias e acessórios e a base geral de clientes.
O primeiro compara 45 e-commerces de joias e acessórios que operam de forma básica com os que usam CRM avançado e recuperação de carrinho.
| Indicador | Sem CRM avançado e sem recuperação de carrinho | Com CRM avançado e automações |
| Captação diária | 27 leads por dia | 57 leads por dia |
| Taxa de conversão | 0,88% | 5,12% |
| ROI | R$ 2,88 | R$ 7,34 |
| Ticket médio | R$ 587 | R$ 450 |
Fonte: CRM Report Joias, Flowbiz, 2026 (45 e-commerces do nicho). São médias de grupos de lojas, não garantia de resultado para cada operação.
O ticket médio menor no grupo com CRM não indica piora: esse grupo reúne mais marcas de semijoias e pratas de giro rápido, e os cupons de carrinho e de recompra convertem pedidos que seriam perdidos.
O segundo recorte, da base geral de clientes, mostra o efeito da segmentação na abertura dos e-mails e o peso do CRM nas vendas.
| Indicador | Sem segmentação ou sem CRM | Com segmentação ou com CRM |
| Taxa média de abertura | 6,54% (nenhuma campanha segmentada) | Cerca de 13% (76% a 100% das campanhas segmentadas) |
| Vendas médias por mês | R$ 5.314 (sem módulo de CRM) | R$ 21.975 (com módulo de CRM) |
| ROI médio | R$ 5,83 (sem módulo de CRM) | R$ 8,17 (com módulo de CRM) |
Fonte: CRM Report 2025. São médias de grupos de lojas, não garantia de resultado para cada operação.
Há um limite importante: no CRM Report 2025, a taxa média de clique ficou entre 3,78% e 4,27% em todas as faixas de campanhas segmentadas. A segmentação ajuda a mensagem a ser aberta, mas o clique depende da qualidade da mensagem, da clareza da chamada para ação e da relevância da oferta.
A segmentação também se justifica pelo peso de quem já comprou. Nos dados agregados da base de clientes da Flowbiz:
| Indicador (base de clientes da Flowbiz) | Valor | O que significa para a segmentação |
| Receita de clientes recorrentes | 47% | Quase metade do faturamento vem de quem já comprou |
| Taxa média de recompra | 41% | Parte da base que volta a comprar |
| Ticket médio da recompra vs. cliente novo | 32% maior | Quem volta costuma gastar mais por compra |
Fonte: dados agregados da base de clientes da Flowbiz.
A divisão mais simples separa assinantes, que nunca compraram, de clientes, que já compraram. Os dois grupos precisam de abordagens diferentes, e misturá-los no mesmo disparo enfraquece as duas mensagens. Para quem ainda não comprou, vale um fluxo próprio de nutrição de leads.
| Característica | Assinantes | Clientes |
| Confiança na marca | Ainda não confiam totalmente; estão conhecendo produto e proposta | Já confiam e conhecem a qualidade |
| O que pesa na decisão | Risco percebido: preço, troca, prazo e qualidade | Timing e desejo, mais do que explicação |
| Mensagens que funcionam | Prova social, conteúdo educativo, bastidores e incentivo de primeira compra | Novidades, reposição, ofertas exclusivas e datas sazonais |
| Tom ideal | Explicativo, menos promocional, com valor antes do desconto | Direto, mais comercial, com mais chamada para ação |
Fonte: material de estratégia da Flowbiz para o nicho de moda.
O critério que mais pesa nas decisões de CRM é o comportamento de compra, e a forma mais precisa de organizá-lo é a matriz RFM, detalhada na próxima seção.
Os segmentos de engajamento separam quem está ativo de quem está inativo com base na interação com as mensagens. Eles protegem a abertura e a entregabilidade de toda a base.
Quando a abertura média está baixa, o material de estratégia da Flowbiz recomenda disparar apenas para quem abriu algum e-mail nos últimos 30 dias e manter as listas frias em exclusão até a abertura média chegar a 10%.
Evite também juntar ativos, inativos e a base completa no mesmo envio. A mistura gera fadiga e prejudica justamente o público mais valioso.
O interesse vem do histórico de compras e dos cliques em links de produtos e categorias. Em casa, decoração e enxoval, por exemplo, o segmento combina o que o cliente comprou e o que clicou em categorias como cama, mesa, banho e cozinha.
Em calçados, o segmento “comprou o modelo X ou clicou em um link do modelo X” alimenta campanhas de reposição de campeões de venda. Em lojas multimarcas, o gatilho pode ser a marca comprada.
O tempo médio de recompra responde a uma pergunta que muitas marcas ignoram: quando falar com o cliente. A comunicação precisa chegar antes de o cliente voltar a comprar em outro lugar.
Em produtos de reposição, como suplementos e cosméticos, o segmento “comprou o produto X” dispara uma mensagem por e-mail e WhatsApp perto do fim do produto, com algo como “Seu produto está acabando?”.
Dados como região, idade e datas especiais permitem ações pontuais, como uma campanha de aniversário ou uma condição de frete para determinada região.
Esse critério só funciona se o cadastro estiver completo e atualizado, por isso vale coletar mais do que o e-mail na captação.
A matriz RFM classifica cada cliente por três medidas: recência (quando foi a última compra), frequência (quantas vezes comprou) e valor monetário (quanto gastou).
Cada cliente recebe uma nota de 1 a 5 em cada medida, a partir das compras dos últimos 12 meses, e a combinação das notas define o segmento. Como a nota compara o cliente com os demais da mesma loja, a classificação depende do comportamento da base, e não de um número fixo de compras.
Os onze segmentos oficiais se organizam em três frentes de trabalho:
| Frente | Segmento | Objetivo | Canal | Desconto |
| Evolução | Clientes Recentes | Gerar a segunda compra | Não é necessário | |
| Evolução | Promissores | Aumentar valor e frequência | Benefício progressivo | |
| Evolução | Em Crescimento | Consolidar o hábito | Benefício leve, opcional | |
| Retenção | Campeões | Reconhecer e reter | E-mail e WhatsApp | Não |
| Retenção | Clientes Fiéis | Valorizar o vínculo | Benefício de relacionamento | |
| Retenção | Precisam de Atenção | Despertar novo interesse | Evitar como primeiro recurso | |
| Retenção | Prestes a Hibernar | Evitar o esfriamento | Leve, na segunda mensagem | |
| Recuperação | Em Risco | Entender e reaproximar | E-mail e WhatsApp | Moderado |
| Recuperação | Não podemos perdê-los | Resgatar o vínculo | E-mail e WhatsApp | Sim, como presente |
| Recuperação | Hibernando | Reapresentar a marca | Oferta de entrada pontual | |
| Recuperação | Perdidos | Facilitar o retorno | Oferta de entrada |
Fonte: e-book Matriz RFM na prática, Flowbiz.
Cada frente tem um guia próprio: como vender mais para clientes atuais para a evolução, como fidelizar clientes para a retenção e como reativar clientes inativos para a recuperação.
Dentro de cada segmento, a Flowbiz mostra indicadores que orientam a estratégia:
O objetivo da matriz é mover clientes entre segmentos: levar os recentes e promissores até Em Crescimento, Clientes Fiéis e Campeões, impedir que clientes valiosos se afastem e trazer de volta quem já se afastou, com abordagem proporcional ao valor que o cliente teve.
Como referência de mercado, benchmarks de RFM citados no Guia Flowbiz Black Friday 2026 indicam que os Campeões costumam representar de 5% a 10% da base e de 25% a 40% da receita. É uma referência externa, e não a média da base de clientes da Flowbiz.
Fonte: Kinetic RFM Segmentation Benchmarks, citado no Guia Flowbiz Black Friday 2026.
O mesmo produto pode ser comunicado de formas diferentes. Os exemplos abaixo mostram a diferença entre acolher um cliente recente e reaproximar um cliente em risco.
Exemplo de e-mail para Clientes Recentes (objetivo: segunda compra, sem desconto)
Assunto: Isso combina com o que você escolheu
Que bom ter você por aqui! Separamos algumas opções que complementam a sua última compra. Dá uma olhada e veja o que mais combina com você.
Exemplo de WhatsApp para Em Risco (enviado só a quem não abriu o e-mail e deu opt-in)
Oi, {{1}}! A gente sentiu que faz um tempinho que você não aparece. Separamos novidades ligadas ao que você já escolheu por aqui. Quer dar uma olhada? [Ver novidades]
O desconto também muda de papel em cada segmento: nos Campeões, não é necessário; em Prestes a Hibernar, entra de forma leve na segunda mensagem; em Não podemos perdê-los, vai como presente.
O envio de WhatsApp para quem não abriu o e-mail em um prazo definido, como 24 horas, é um recurso de orquestração entre canais das automações da Flowbiz. Saiba mais em marketing multicanal com WhatsApp e e-mail.
O critério que mais funciona depende do comportamento natural de compra do nicho. A tabela resume o que o material de estratégia da Flowbiz recomenda em cada caso.
| Nicho | Critério que mais funciona | Como aplicar |
| Moda | Relação com a marca | Disparos separados para assinantes e para clientes, priorizando os ativos de cada lista |
| Joias e acessórios | Engajamento | Disparar só para quem abriu algum e-mail recentemente e manter as listas frias em exclusão até a abertura média chegar a 10% |
| Calçados | Produto e marca | Segmento “comprou ou clicou no modelo X” e e-mails da marca comprada |
| Casa, decoração e enxoval | Categoria | Histórico de compra combinado com cliques em categorias como cama, mesa, banho e cozinha |
| Moda infantil | Etapa de vida | Sugerir a fase seguinte (tamanho ou idade) para quem comprou produtos da fase anterior |
| Suplementos e cosméticos | Ciclo de reposição | Segmento “comprou o produto X” com mensagem por e-mail e WhatsApp perto do fim do produto |
| Moda praia | Base ativa e categoria | Lançamento principal para a base ativa geral, com a categoria como complemento, e não como único filtro |
Fonte: material de estratégia da Flowbiz (cases reais por nicho).
Como exemplo de resultado, uma campanha mensal recorrente de “sentimos sua falta”, segmentada por categoria de interesse em uma operação de joias e acessórios, gerou R$ 9 mil em receita por último clique. É o resultado de uma operação, e não uma média de mercado.
Segmentar não significa fatiar a base sem fim nem enviar mais mensagens a cada cliente. Três sinais de excesso:
A frequência, por outro lado, não é inimiga quando a base está segmentada. No CRM Report 2025, lojas que enviaram de 1 a 4 campanhas por mês venderam em média menos de R$ 3.000 mensais, enquanto as que enviaram mais de 30 chegaram a cerca de R$ 45 mil, com campanhas segmentadas.
A relação é uma correlação entre médias de grupos de lojas, e não prova que enviar mais gera vendas por si só.
Um exemplo ilustrativo: em um segmento com 5.000 clientes, 4.500 recebem a campanha e 500 ficam como grupo de controle. Se 6% de quem recebeu voltou a comprar e 2% do grupo de controle também comprou, o efeito real da campanha é de 4 pontos percentuais.
Os números do exemplo são hipotéticos e servem apenas para mostrar o cálculo.
| Indicador (compare por segmento) | O que responde |
| Receita por segmento | Quanto cada grupo gera e se o valor dos grupos certos está crescendo |
| Taxa de recompra por segmento | Se as comunicações estão gerando novas compras |
| Migração entre segmentos | Quantos clientes avançaram para grupos de maior valor e quantos escorregaram para grupos de risco |
| Tamanho dos segmentos ao longo do tempo | Se a base saudável cresce e os grupos de risco diminuem |
| Ticket médio e LTV por segmento | Se a relação com os clientes está ficando mais valiosa, e não apenas mais frequente |
Teste uma variável por vez, como tom, assunto, canal ou presença de desconto, para saber exatamente o que gerou a diferença.
No dashboard da Flowbiz, é possível acompanhar a taxa de recompra, o ticket médio de novos e recorrentes, o tempo médio de recompra e a receita por perfil RFM.
A Flowbiz (antiga Mailbiz) é uma plataforma de automação de marketing que conecta CRM, WhatsApp, e-mail e inteligência artificial, com forte atuação em e-commerce, parte do Ecossistema Sankhya. Para a segmentação, reúne no mesmo lugar:
Segundo a própria empresa, a plataforma influenciou mais de R$ 350 milhões em vendas no último ano.
Conheça as páginas de CRM de marketing, de automação de marketing e de como aumentar vendas usando sua base de clientes.
É dividir a base de contatos em grupos com comportamento, interesse ou momento de relacionamento parecidos, para enviar a cada grupo a mensagem, o canal e a oferta mais adequados.
Os mais usados no e-commerce são a relação com a marca (assinantes e clientes), o comportamento de compra (matriz RFM), o engajamento, o interesse, o ciclo de compra e os dados do cadastro.
Comece pela relação com a marca e pelo engajamento, que são simples de aplicar, e inclua a matriz RFM assim que os pedidos estiverem integrados ao CRM. O RFM mostra onde está o maior potencial de receita.
É um método que classifica cada cliente por recência, frequência e valor monetário e o posiciona em um dos onze segmentos oficiais, como Campeões, Em Risco e Hibernando, a partir da comparação com o restante da base.
Sim. No CRM Report 2025, a taxa média de abertura foi de 6,54% para quem não segmentava nenhuma campanha e chegou a cerca de 13% para quem segmentava de 76% a 100% dos envios. O clique, por sua vez, depende mais da qualidade da mensagem.
Não. Uma base bem segmentada permite enviar com mais frequência sem cansar o cliente, desde que cada mensagem seja relevante para o grupo que a recebe e que não haja mais de 2 contatos em 72 horas para o mesmo objetivo.
Não. A segmentação ganha precisão conforme o histórico de pedidos cresce, mas critérios simples, como assinantes e clientes ou ativos e inativos, já funcionam em bases pequenas.
Comparando, por segmento, a receita, a taxa de recompra e a migração entre segmentos, e usando um grupo de controle para separar o efeito da campanha das compras que aconteceriam de qualquer forma.